segunda-feira, 1 de janeiro de 2018


QUATRO PROJECTOS NACIONAIS PARA OS PRÓXIMOS DEZ ANOS
Milagre Económico, Duplicação do número de licenciados, Reforma da gestão da floresta e da água e Rejuvenescimento da população
Os incêndios e a seca atingiram-nos de forma trágica e, depois das lágrimas e dos primeiros socorros, há que encarar esses factos como alertas para construirmos um país muito melhor.
Os incêndios e a seca fustigaram os pobres, os idosos e a mãe terra.
Como país e, nas últimas décadas, temo-nos focalizado nos problemas de curto prazo, adiando a solução dos verdadeiros problemas estruturais do país que são: a extrema debilidade económica, o défice educativo e cultural persistente, o abandono a que votamos este nosso jardim à beira mar plantado e a indiferença à desertificação humana que , pela calada, nos ameaça como povo.
As nossas respostas têm que ser muito ambiciosas, quer no período curto de implementação de dez anos, quer na abrangência da maior parte da população, quer na sua grandiosidade objectiva.
Milagre económico. A meta a alcançar em dez anos é, nem mais nem menos, duplicar o actual Produto Interno Bruto per capita, isto é, passar dos 22.000 anuais para os 44.000 €.
Só com uma aposta desta grandeza, um autêntico milagre, será possível melhorar substancialmente a situação económica de 50% da população activa que, actualmente, aufere rendimentos do trabalho abaixo dos 10.000 € anuais e reduzir saudavelmente o desemprego para os 4% da população activa. E acudir dignamente aos 20% de portugueses que vivem em pobreza extrema.
É possível dar tamanho salto? A República da Irlanda deu-o entre 1995 e 2015, passando de 15000€ anuais para 55.000. Portugal , país pequeno e periférico e membro da U.E. como a Irlanda, evoluiu nesses mesmos 20 anos de 12.000 para 22.000. Faltou-nos ambição e, sobretudo, competência
Por isso é que é imprescindível duplicar o número de portugueses da população activa com o ensino secundário completo ou com licenciatur subindo de 35% para 70% que é o valor médio dos países mais desenvolvidos da U.E..
A economia requer cada vez mais conhecimento e cada vez menos força física e habilidade manual. Por outro lado a educação e a instrução são absolutamente indispensáveis para a realização pessoal, para a democratização da sociedade e para o o bem-estar ambiental
Os incêndios e a seca, para além de colocarem a descoberto as principais debilidades do Estado e da sociedad tornaram particularmente urgente a gestão da água e da floresta. A partir de agora não podemos limitar-nos a protegermo-nos dos incêndios. Urge trabalhar por um país/território mais saudavel e mais rentável.
O projecto de rejuvenescimento da população é o mais difícil de adoptar e de implementar porque implica a inversão de atitudes individuais de procriação e de educação e os frutos só serão visíveis para lá dos dez anos. Como o percurso é especialmente longo é necessário começar já.
E o início destes projectos nacionais tem que partir da sociedade civil porque os partidos políticos, os sindicatos e as ordens profissionais têm estado quase exclusivamente focalizados nos interesses dos grupos que representam. As eleições para a Assembleia da República de 2019 serão a ocasião indicada para a sociedade civil os mandatar para liderarem, como lhes compete, a implementação destes projectos nacionais.
È claro que a sociedade civil não se mobiliza espontaneamente, tanto mais que o consumismo e o divertimento a que está subjugada , não lhe deixam espaço para estas causas,
Capaz de mobilizar a sociedade civil para a adopção destes desígnios nacionais só o actual Presidente da República porque foi eleito directamente pelos portugueses sem o apoio dos partidos políticos, porque acompanhou de perto a tragédia do ultimo verão e porque é o presidente dos afectos. São estes, os afectos e os sentimentos em geral, os únicos capazes de mobilizar verdadeiramente os portugueses para “reinventar o país” como assinalou o Presidente na sua mensagem de ano novo.

Artur Lemos

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