terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
Será por aí o caminho? Texto de António Correia
A Visão de sábado dia 27 de Janeiro trazia uma reportagem sobre a maneira de praticar o culto religioso (cristão?) de pessoas que se identificam como pertencendo à Fraternidade de S. Pio X. Têm da Liturgia a ideia de ser constituída por cerimónias à maneira dos tempos anteriores ao Concílio Vaticano II; a missa deverá ser em latim, com o celebrante de costas para o povo, vestes/paramentos do clero à moda antiga, maneira de as mulheres se apresentarem, de todos estarem, comungarem…
Enfim, a recusa do caminho que a Igreja Católica, com avanços e hesitações, tem vindo a fazer há cinquenta anos no campo da liturgia, para fazer dela celebração de toda a comunidade e não um conjunto de cerimónias, espetáculo religioso para assistentes submissos; a recusa determinada de andar o caminho por que o papa Francisco tenta guiar a Igreja Católica (só ela?) seguindo o exemplo e a palavra de Jesus, na maneira de encarar as pessoas, a vida, o mundo.
Mas esta “guerra” não é só de hoje. Quem não se lembra do desentendimento conflituoso que teve lugar entre Monsenhor Pereira dos Reis e o Cardeal Cerejeira? Estava em causa a maneira diferente de entender questões teológicas, pastorais, litúrgicas, inclusivamente no que a paramentos dizia respeito. O cardeal, um conservador, Pereira dos Reis, um mestre que andava 40 anos à frente do seu tempo. Por isso foi afastado do seminário dos Olivais onde era o Reitor e mandado para conselheiro do embaixador de Portugal no Vaticano, onde nada teria a fazer nem a ensinar. Por isso se recolheu, passados dois anos, ao mosteiro de Singeverga.
Não travou mais guerra. Soube que o tempo lhe viria a dar razão, que outros, hoje, tentam dizer que não tinha.
Voltaremos ao assunto
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