AUMENTA O AUTORITARISMO DOS PADRES NAS COMUNIDADES CATÓLICAS DA GRANDE LISBOA
No mês de Agosto e na missa vespertina de Sábado em que eu participava, um padre de meia-idade, que não o Pároco, fez uma homilia no mínimo estranha e que se pode resumir no seguinte: tudo funcionará correctamente na Igreja se cada macaco se ativer ao seu galho. Não houve cumprimento da paz como é habitual haver.
No fim da missa fui ter com ele e perguntei-lhe educadamente por que razão tinha suprimido o cumprimento da paz. Respondeu-me assim: "Desejo-lhe um bom Domingo". Insisti duas vezes e obtive sempre a mesma resposta, a do risco riscado. Como havia já uma fila de pessoas que o queriam cumprimentar despedi-me desejando-lhe também um bom Domingo.
Numa paróquia contígua à minha o Pároco expulsou da Paróquia o grupo dos escuteiros, agrupamento que conta com 60 anos de existência sempre com uma vitalidade e dinamismo extraordinários. Imediatamente antes de vir para esta paróquia fizera o mesmo na paróquia que então pastoreava. Razões de tão estranho comportamento? Não se conhecem.
Um antigo aluno meu, actualmente professor universitário, medianamente conservador do ponto de vista social e religioso, frequenta uma paróquia da Baixa lisboeta. Depois da celebração da missa dirigiu-se ao prior para comentar a homilia que acabava de ouvir. " Sabe, Senhor prior, sobre o assunto da sua homilia tenho uma opinião diferente da sua." Resposta rápida do Prior:" O que conta não é a sua opinião, é a minha." E assim terminou a conversa.
Também numa paróquia da cidade, frequentada por pessoas da classe média alta, numa missa dominical em que participei, o Prior começou por prevenir o povo de Deus que tinha muita febre e que, por isso, não esperassem que a homilia e a celebração tivessem o brilho habitual. Foi algo penoso o que se passou. Porque não recorreu ao diácono que sempre o acompanha como acólito dedicado? O presbítero só tem o exclusivo da celebração da eucaristia não o da celebração da palavra.
Nos últimos tempos o Bispo procura dar voz aos padres na condução da diocese, e bem, e, ao que consta, até o Núncio, que é conhecido por ser um ultramontano empedernido, consulta alguns padres para a escolha dos futuros bispos. Então porque é que os padres não estendem essa abertura ao povo de Deus?
Há certamente razões que explicam esta tendência crescente dos padres para o autoritarismo. Mas não podemos esquecer o gesto do lava-pés de Cristo na ceia de despedida e as suas palavras dirigidas ao grupo dos apóstolos: Deveis lavar os pés uns aos outros, como eu, vosso mestre e senhor, o fiz.
Artur Lemos
Artur Lemos
Sem comentários:
Enviar um comentário