CIENTISTAS,INOVADORES E
EMPREENDEDORES
O nosso país tem feito
progressos notáveis no domínio da ciência ,estimulados pelo
falecido e notabilíssimo professor/investigador e ministro, Mariano
Gago. Os portugueses apreciam seguramente tais progressos quer na
produção científica e tecnológica quer na divulgação da
ciência e da tecnologia, duas dimensões essenciais ao
desenvolvimento cultural e económico do país.
Num passado mais ou menos
remoto as coisas passavam-se de modo diferente do modo como se passam
hoje. Nesses outros tempos os cientistas pesquisavam por vocação,
por iniciativa própria e à sua própria custa, trabalhavam isolados
e não se preocupavam com a utilidade prática das suas descobertas.
Actualmente a ciência é obra colectiva, procura também resolver
problemas práticos e é encarada pelos Estados como parte das suas
missões essenciais a par da defesa, saúde ou educação. A cadeia
de produção da ciência tem agora, como consequência, mais dois
elos, além do investigador, o inovador e o empreendedor/empresário.
E os cientistas,
ao procurarem resolver
problemas práticos, saem do círculo fechado da procura do saber
pelo saber e entram no mundo do trabalho, da produção de coisas
úteis ao bem estar das populações. Os governos dos Estados, pelo
seu lado, organizam o trabalho científico e tecnológico em sistemas
nacionais de modo a conseguirem melhores resultados.
Portugal tem, como outros
países, o seu Sistema Científico e Tecnológico, constituído quase
exclusivamente por instituções do sector público, coordenadas pela
Fundação para a Ciência e Tecnologia. Entre as instituições do
sector privado, as mais conhecidas são a Fundação Gulbenkian, a
Fundação Champalimaud e a Fundação Manuel dos Santos. Trabalham
no Sistema Científico e Tecnológico Nacional um pouco mais de
100.000 trabalhadores, assim distribuídos: 80.000 investigadores,
20.000 técnicos e 2.000 nos serviços de apoio.
Acontece que mais ou menos
65.000 são remunerados através de uma bolsa individual, de duração
variável e de renovação sempre incerta e que entra na categoria
jurídica dos subsídios. Os cientistas
são, pois, trabalhadores
precários que recebem apenas quando trabalham, não têm direito a
serem associados à gestão do seu próprio trabalho, não
têm´direito a subsídio de desemprego, a marcar férias,a subsídio
pleno de doença, a fazer greve...
Não há dúvida que é
justo, rentável e urgente integrá-los no regime jurídico de
contrato de trabalho nas suas várias modalidades, nomeadamente a de
contrato a tempo parcial. É imprescindível,porém, ter em conta
quer as características específicas deste tipo de trabalho quer as
ligações estreitas que tem com o ensino superior e que exigem
muitíssimo mais flexibilidade do que aquela que é permitida pelo
contrato normal de trabalho, desenhado tendo como modelo o trabalho
fabril. Ao integrá-los na Administração Pública importa também
fazê-lo com a participação deles e com uma dupla perspectiva, a do
interesse dos indivíduos e dos seus grupos profissionais e a do bem
comum as quais, infelizmente , nem sempre coincidem. E nem sempre
também o bem comum leva vantagem sobre os interesses dos grupos
profissionais, o que é contrário ao bem-estar da sociedade e dos
seus membros.
Quanto à inovação e aos
inovadores desenvolvem-se quando investigadores e
empresários/empreendedores se juntam e trabalham em colaboração
uns com os outros na procura de novos produtos e novos processos. Uns
e outros têm que traçar caminhos que os levem a esses encontros
virtuosos.
O número e qualidade de
empresários/ empreendedores é claramente insuficiente como o
demonstra a debilidade da nossa economia desde o início da revolução
industrial.
Actualmente, os portugueses
preferem ser assalariados a ser empresários/empreendedores.Geralmente
procuram um emprego que lhes ofereça boas condições de trabalho
sobretudo remuneratórias.
A educação familiar e a
educação escolar desmerecem a alternativa empresarial em favor do
assalariamento porque este é seguramente muito menos arriscado do
que aquela. Efectivamente 80% da população activa não tem nem
competências específicas, nem poder relacional, nem condições
materiais que lhes permita lançar uma empresa com sucesso nem,muitas
vezes, um auto emprego . Por outro lado, o discurso anticapitalismo e
anticapitalista junto com a mais recente crítica ao empreendedorismo
e à empregabilidade têm contribuido para o desacreditar junto dos
20% que teriam condições objectivas de o efectivar com mais ou
menos sucesso. E assim, o mais comum dentro desse grupo de
privilegiados, é, ainda ( pasme-se), aspirar-se a um emprego de
quadro na Administração Pública .
Que fazer, então , como
cidadão activo?
. Valorizar a missão do
empreendedor/ empresário e a forma da empresa-cooperativa.
. Enquanto assalariado
pertencente ao grupo dos 20 ou 30% de privilegiados,
criar empresas. Permitam-me
que cite o meu caso. Fui durante 40 anos assalariado no sector
privado nacional e multinacional e, ao longo desse tempo, criei, com
outros, um bar, uma editora de livros técnicos e uma cooperativa de
solidariedade social ( lar de idosos).
. Do capital que for
conseguindo acumular ao longo dos anos de vida, destinar metade a
reforçar a segurança de familiares actuais e vindouros e a outra
metade, investi-lo em projectos económicos, sociais ou culturais, de
preferência lançados por jovens empreendedores.
Artur Lemos.
arturlemosazevedo@gmail.com
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